quarta-feira, 30 de maio de 2012

Era ela! Menina dos dentes grandes e cabelos pequenos, japonesa. Eu não a conhecia, nunca havia nem se quer dito um oi...E até hoje não disse. Deixe-me descomplicar.
Olhava suas fotos, seus comentários, conversas. Idealizei a moça. Inventei uma voz bonita pra ela, imaginei seus gestos, nascia em mim um apreço. Eu a admirava. Sabia que sofria com a situação do final do ano, eu não quis investiga-la, não fiz isso, as informações vieram a mim, até dezembro talvez, mal sabia eu, que a moça existia, tanto faz. Eis que em janeiro, na minha mente, eu já podia ouvir até como sua voz dizia palavras que eram minhas. Ahh, antes que eu me esqueça, volto para o "Era ela!" do início da minha história.
Sentei bem perto, mas não disse nada. Talvez ela nem soubesse quem eu era e se soubesse poderia não gostar, só fiz o de costume, a observei. Descrevendo a cena, era quase assim: Falava sobre a saudade com os amigos que não encontrava há tempos, enquanto meus olhos iam e voltavam passando pela moça.
Uma cara fechada e eu sei lá porque. Andava de um lado pro outro, olhava pra tudo, quanta impaciência! Mas tudo bem, poderia ser só um dia ruim, de qualquer modo, continuei observando-a.  Caretas, caras feias, nenhum sorriso bonito de foto. Quando parou de ameaçar ir embora com aquele ar de insatisfação, agachou-se esperou no mesmo ar de chatice.
Um chute na minha boca. Da próxima vez em que eu idealizar alguém, vou fazer de tudo, para não encontrar nem virando a esquina.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Canalha.

Sábios os que escutam aqueles chamados de lunáticos. Pois já dizia o esquisitão do Zeca Baleiro que 'solidão não cura com aspirina.' A solidão é culpa do amor. Quem o conhece uma vez, até o resto da vida, há de se sentir só. Vez ou outra, por mimo, por birra, quase nunca, por algum motivo serio, que seja! Não importa muito o motivo quando se sente, confirmado mesmo é que o amor é uma doença e solidão é um daqueles primeiros sintomas. 
O pior disso tudo, é que de tão canalha que os sentimentos conseguem ser, de algum modo, te fazem elaborar as mais sofisticadas e esfarrapadas desculpas pra solidão. Se for uma manhã de Sol, nos sentimos sozinhos pela pura vontade de compartilhar o momento. Na noite gelada é por ela ser vazia demais pra estar sozinho. Seja no tempo bom o ruim, a solidão sempre nos vem como insatisfação pessoal, doença eterna, hereditária, mal do século, da sociedade, ópio do mundo. Desculpa pra preguiça, impaciência e covardia, sempre jogam tudo pra solidão ou melhor, pra cima da falta de amor.
Solidão não cura com aspirina, não mesmo. Mas ao menos a aspirina está ai, pra curar a dor de cabeça e os estragos do amor e dos teus sintomas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Foram exatamente naqueles três minutos, aqueles em que eu fiquei na cama antes de levantar mais cedo que o Sol, que me trouxeram a cabeça uma pergunta que entristece: Pra que tanta guerra? E quando digo guerra, é no sentido literal mesmo. Nunca entendi qual foi a intenção da pessoa que inventou matar mais pessoas que tinham um outro objetivo a troco de divisão territorial, predominância religiosa ou algo assim. O que seria tão honroso a ponto de colocar em risco o prazer de ter alguém ao lado, ter filhos ou simplesmente de acordar tarde no domingo? Morrer por um objetivo e não desfrutar dele, não tem lógica.
Não me envergonho das patologias humanas e nem mesmo das babaquices ainda sim, apenas me chateio um pouco, ao perceber que faz parte da evolução, ir perdendo pouco a pouco a capacidade de amar.

sábado, 10 de março de 2012

Aquele sotaque que já de longe, mostra que veio ao mundo pra ser efusivo, pra ser cheio de amor! A comida com muito tempero, o sambinha de leve, "jeitinho" de sempre que a gente gosta de dar. Falta de vergonha, é aqui mesmo! Festa? Sempre que tem, estamos lá. O clima é quente e as praias não nos deixam na mão. As lindas cidades grandes, que embora bordada de cinza, tem um 'bom dia' diferente das outras. Ah, quanta vida! Quanta coisa! E se canto com os olhos marejados sobre o povo heróico, brado e retumbante é por saber o que realmente somos e como somos!
Agradeça a sua pátria, pelo mesmo motivo que agradece os teus pais.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Vejo.

Particularmente, vejo nos olhos em locais públicos, uma graça sem igual. Eles se movem o tempo inteiro. Imagino ser um tipo de desespero da população. Quando há rotina, o caminho para os compromissos nada mais é do que o obrigatório, por isso a movimentação dos olhares. O comum apavora, quase ninguém sabe, mas não existe largado por ai, um só ser humano que goste de saber o que vai acontecer. Toda a agitação de olhares é a procura de algo (qualquer coisa) pra prender a sua atenção. Não existe graça na certeza, na rotina, na clareza. Agora, o caminho para os compromissos, torna-se maior do que uma obrigação e quem sabe, lá no fundo, ele bem que poderia se transformar no momento em que a sua vida muda.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Entendi a questão de falar tanto da falta de sono. Você descobre que não está bem, quando encosta o corpo na calmaria do colchão e ele parece ser uma cama elástica de tanta bagunça que seu corpo faz nele. O sono é o maior de todos os sinais de estado de espírito. Se está bem, dorme bem. Ninguém perde o sono por causa de sorrisos, talvez pela saudade deles, mas por um sorriso em si não. Pelo contrário, dorme mais rápido pra tentar encontrar um desses em sonhos. Falta de sono é cabeça cheia, é preocupação, é não saber o que quer, ou querer demais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Devaneio N°1

No fim, é como se tudo fosse um pano limpo por cima da bagunça que existe dentro dela. A música que ela acompanha com leves sussurros de uma parte ou de outra passa por despercebido em teus lábios. Ela têm lido toneladas de livros, um atrás do outro, pra simular ocupação. Dorme tarde e acorda cedo, como se no decorrer do dia fosse fazer algo de muito importante. E no fundo faz; mas guarda pra sí. Não entende como foi deixar tudo tão inquieto lá dentro. São vozes graves, resto de pesadelo, madrugada bonita, espera por ligação, olhos escuros e claros, cabelos e gestos, uma mistura de tudo e todos, mistura do que não deveria nem estar perto, do que deveria ser pessoal e virou público. Loucura!