domingo, 10 de abril de 2011
sujeito as condições de tempo.
Tenho sentido vontade de arrumar as malas, ir embora. Pra onde não existe comunicação, notícias e essa pressa doentia que o ser humano tem de fazer justiça com as próprias mãos. A minha mente adoeceu e a minha fé, que nunca foi lá essas coisas, tem falhado. É doloroso dizer isso, assumo. Mas não tenho mais aquele anseio que me invadia por muitas manhãs, querendo fazer grandes mudanças. Gostaria que não me afetasse tanto as tragédias alheias e que a dor do próximo não contaminasse meu sangue, fazendo ele amargar meu corpo, pulsando até meu coração, a onde o problema geralmente insiste em se alojar. Quem olha de longe, parece que logo passa toda essa melancolia, mas deixo prevalecer as aparências. Não ouso ao menos citar as minhas frustrações com os jornais diários, comentários matinais e comportamentos inaceitáveis dessas almas desertas que me acompanham o tempo inteiro. Contudo, mantenho a calma, o grupo a qual pertenço está doente a décadas e por tantas vezes parece que a minha lucidez é o problema desse caos. Tenho um remédio que se consiste no bem que a gente consegue ver de perto, no bem que chamam de amor.
domingo, 27 de março de 2011
Auto-relato.
Quando a gente dorme no meio de uma conversa ou começa a dizer coisas que não é mais o seu consciente que controla e sim a parte dele que fica ligada quando você desliga, quer dizer que você enlouqueceu. É mais o menos como quando você passa o tempo inteiro com um aparelho eletrônico ligado, se não houver uma pausa, ele acaba não durando muito. Pois bem, meu corpo andava assim.
Durante esse meu tempo de falha, eu era uma pessoa curiosa, jurava estar conversando calada, soltava gritos de alegria no meio de uma história, quase enlouqueci. O motivo? Ahhhh, teimosia minha. Mal dormia, mal me alimentava. De vez em quando eu quero ter o mundo inteiro em dez minutos, em uma mão só, para que na outra eu possa tentar encaixar pelo menos a lua. Essa minha pressa as vezes me estraga, acho até que é defeito.
Nesse momento estou melhor, em teste. Ainda deve haver alguns mecanismos estragados e outros até nunca mais serão os mesmos, mas é o preço que se paga por desejar ser tudo tão depressa assim. Ê menina, vê se aprende.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
As pessoas tem a péssima mania de usar de exemplo o sentimento dos outros e isso é quase tão chato quanto viver atrás do que não existe. Uma vida é pouco tempo e infelizmente não dá pra fazer tudo, muito menos ficar contando com a outra vida que nem se quer é certa e pra ser sincera, acho difícil existir, então se quer seguir algo, siga a sua vida, conte sobre você e o mais importante, não perca tempo comparando sentimentos, é besteira.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Fugitivos.
Tenho dificuldade pra dormir, sempre tive, desde que me lembro pelo menos. De uns tempos pra cá, ela tem se mostrado mais. Passo tanto tempo acordada que quase esqueço de dormir. Quando levamos uma vida normal, gostamos de dormir pra sonhar. Antes de dormir, remoçamos planos, algumas vezes preocupações -mas não faz bem, prefiro ficar nos planos- até conseguirmos dormir e enfim sonhar. Esses dias, rindo sozinha aqui no quarto, percebi que os meus sonhos transbordaram, saíram correndo da minha mente, me arrastaram até o caminho que eles bem quiseram fazer. Agora sou escrava dos sorrisos e felicidades por conseqüência da teimosia dos meus sonhos que decidiram virar verdade e deixar essa história de ficar guardado na cabeça da gente pra quem sonha pouco! Grata teimosia! Grata escravidão!
Como já devo ter comentado -muitas vezes, claro- minha alma é tão grande -maior do que a minha casa- que dá um jeito de fazer até os sonhos criarem vida. Aviso aos navegantes: Quem me encontrar por ai, sorrindo sem motivos, ou andando de mãos dadas com um magrelo com felicidade tão nítida quanto doença, ache normal, ele é a parte do meu sonho que saiu correndo da minha mente e passou a ser tão real que não me deixa mais dormir, de tanto amor que ensinou a ter. Ai de mim! Agora faço planos e acredito até que a parte ruim da vida é sinônimo de quase nada.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Pra constar ou contar.
Acabo servindo de moradia para o exagero. Repetições, aumentativos, extremos. É que pouco, nunca demonstrou ao certo ser pouco, mas o muito, ele chega fazendo estrago, se mostra, chama atenção, diz o que é e pra que veio. Além do mais, quando é pouco, prefiro ser nada. Porque pecado mortal é se economizar, sendo que anos passam depressa e são poucos os que tem paciência de viver muito, a maioria logo se entrega. Atenção: não confundir exagero com falta de necessidade.
domingo, 7 de novembro de 2010
seis do onze e mil de pavor.
Até então, tinha certeza absoluta de que não sabia agir nas situações complicadas, mudei de idéia.
Acordar tarde não me agradou, preferia que não fosse final de semana, ainda sim, levantei com um leve bom dia e rosto de satisfação pela noite bem aproveitada. A Av. Paulista, o cheiro de limpo do hospital, o elevador claro e tão bem iluminado quanto o resto do local, o piano tão alto e grave mesmo sozinho, as imagens de Santa Catarina e o pior de tudo, aquele rosto tão familiar com expressão de choro conversando com Nossa Senhora de Fátima, Nada me agradava. Tudo tinha gosto amargo, até o chocolate do café da manhã. Eu não queria que ela estivesse mal, não queria segurar o choro, queria mesmo dizer que eu faria o que fosse preciso no lugar dela, pois só assim eu estaria mais tranquila. Apesar do meu desejo de dizer tudo isso na melhor das intenções, fiquei calada, segurei sua mão e fiz como se estivesse tudo bem, fiz certo.
sábado, 23 de outubro de 2010
Resumo sobre saudade.
Essa angústia antecipada é o menor dos problemas no que passa a ser saudade. Seus sintômas sim, são o grande problema. Todas as palavras começam a ter o som da sua voz chamando o meu nome, a vontade de não sair da cama pra passar o dia inteiro sentindo o cheiro das suas roupas guardadas no meu armário é tão grande que faz até aumentar o sono para que sirva de pretexto. Minhas mãos parecem mais leves, porque falta o peso das suas sobre elas e meu corpo está folgado sem o seu abraço para ajustá-lo. Sua ausência é tão notável como estar doente. É o tipo de coisa que não se esquece. Suadade deve ser doença, pois além disso, quase não durmo também e não sei se é porque lembrando de nós consigo acalmar um pouco mais meu corpo que passou a estar mais inquieto do que nunca ou porque tenho medo de ao parar de olhar para as horas elas parem de caminhar também. Mesmo com tudo isso, aguento firme, quase enlouquecendo, mas aguento firme, no fim, acabei roubando um retrato de um dos seus sorrisos que eu tanto gosto e o deixei pendurado dentro de minhas pálpebras, sempre que fecho os olhos o encontro lá, tenho também o seu cheiro em mim e um calendário pra riscar os dias. Só não demora muito, porque algumas partes de ti, ainda não são você por completo.
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