domingo, 7 de novembro de 2010

seis do onze e mil de pavor.

Até então, tinha certeza absoluta de que não sabia agir nas situações complicadas, mudei de idéia.
Acordar tarde não me agradou, preferia que não fosse final de semana, ainda sim, levantei com um leve bom dia e rosto de satisfação pela noite bem aproveitada. A Av. Paulista, o cheiro de limpo do hospital, o elevador claro e tão bem iluminado quanto o resto do local, o piano tão alto e grave mesmo sozinho, as imagens de Santa Catarina e o pior de tudo, aquele rosto tão familiar com expressão de choro conversando com Nossa Senhora de Fátima, Nada me agradava. Tudo tinha gosto amargo, até o chocolate do café da manhã. Eu não queria que ela estivesse mal, não queria segurar o choro, queria mesmo dizer que eu faria o que fosse preciso no lugar dela, pois só assim eu estaria mais tranquila. Apesar do meu desejo de dizer tudo isso na melhor das intenções, fiquei calada, segurei sua mão e fiz como se estivesse tudo bem, fiz certo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Resumo sobre saudade.

Essa angústia antecipada é o menor dos problemas no que passa a ser saudade. Seus sintômas sim, são o grande problema. Todas as palavras começam a ter o som da sua voz chamando o meu nome, a vontade de não sair da cama pra passar o dia inteiro sentindo o cheiro das suas roupas guardadas no meu armário é tão grande que faz até aumentar o sono para que sirva de pretexto. Minhas mãos parecem mais leves, porque falta o peso das suas sobre elas e meu corpo está folgado sem o seu abraço para ajustá-lo. Sua ausência é tão notável como estar doente. É o tipo de coisa que não se esquece. Suadade deve ser doença, pois além disso, quase não durmo também e não sei se é porque lembrando de nós consigo acalmar um pouco mais meu corpo que passou a estar mais inquieto do que nunca ou porque tenho medo de ao parar de olhar para as horas elas parem de caminhar também. Mesmo com tudo isso, aguento firme, quase enlouquecendo, mas aguento firme, no fim, acabei roubando um retrato de um dos seus sorrisos que eu tanto gosto e o deixei pendurado dentro de minhas pálpebras, sempre que fecho os olhos o encontro lá, tenho também o seu cheiro em mim e um calendário pra riscar os dias. Só não demora muito, porque algumas partes de ti, ainda não são você por completo.

domingo, 10 de outubro de 2010

nove.

Porta, pia de cozinha, sofá laranja, sofá azul, tapete, camiseta de banda, camiseta azul, provável motivo de odio mundial não comentado seguido de pausa pra dois. Retrato pra iaiá, como dito anteriormente (não por mim) prévia sobre fechar os olhos, cookies, punição (há), água evaporando (não era pra evaporar tanto) pausa pra dois. Macarrão, alface, suco, mais cookies, pausa pra dois. Choro, duzentos abraços. Poucas linhas, não vou ficar dando voltas pra esconder que isso tudo é felicidade, sem palavras difíceis também, não precisa. Ah, isso não é uma descrição, são só lembretes.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

zero cinco.

Tudo influênciava, ou fluia tornando tudo conhecidência. Era a música que ambos escutam mais de uma vez (ou dez) por dia, naquele disco de guitarras distorcidas, que provocavam risos em algumas partes específicas, não pela melodia é claro. Além da música, o clima, o local, a companhia e o tempo principalmente, favorecia o dia.
Mais incrível de tudo, era lembrar que em meio da rotina atribulada com intervalos de 20 minutos (ou menos) por dia e um tempo extra (se der sorte) há um dia na semana que faz romper esse costume de ter hora de ir pra direita ou pra esquerda, sentar em tal lugar e reclamar da quantidade de pessoas no troleibus, há um dia que te faz ter prazer em lembrar de todos os lamentos semanais e se uso aqui o termo 'lamentos' é realmente para que o drama fique explícito ou pra aumentar a importância do dia da descrição. A verdade é que todos esses rodeios são para informar meus ilustres leitores de que encontrei algo pelo qual vale a pena rodar o mundo apenas para ter a presença de um sorriso verdadeiro por dia e mesmo que alguns problemas não estejam ao meu alcance de resolução, ainda sim estarei aqui, o segurando com toda a força que posso conter para que não exista desistência, pra provar que até mesmo rodar o mundo inteiro as vezes não é o suficiente quando se esquece que no final o que vale mesmo é sorrir a cada trecho acompanhado por guitarras distorcidas e lembranças que transbordam felicidade.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Desde sempre.

Eu não quero mais ouvir político falar de sustentabilidade, saúde, educação, moradia, feitos anteriores, bolsa tudo quanto é coisa, dinheiro em cueca, violência familiar, auxílio pra narcótico. Fazem anos e anos que os mesmos assuntos são abordados, a muitas e muitas gerações. Há um progresso, de fato. Mas é lento, tão lento que talvez em quinze ou vinte gerações, vamos estar quase lá. O 'amplo progresso entre zero e um' já dito pelo Dead Fish, é frustrante de ver, de ouvir e ainda mais de sentir interesse.
Também não quero mais ver o povo reclamando na frente da televisão esperando a novela das nove começar. Recuso-me a escutar críticas sobre a copa do mundo no Brasil, ou os lamentos de programas sensacionalistas.
Somos um mais acomodado que o outro, afinal ninguém vai estar vivo pra ver a mudança, nos contentamos com um milhão de viaturas nas ruas dando enquadro em maconheiro, pra estampar no rosto de quem caminha por perto um sorriso ao sentir uma segurança de faixada. Enquanto são poucos os que lembram ou sabem que enquanto um ou outro usuário perde cinco reais de maconha, a polícia ganha cinco mil indo chantagear os donos da biqueira na favela alí do lado.
Falar da educação também tá um verdadeiro porre. O problema não é o aluno passar ou não sem aprender, o negócio é tentar perceber o porque ele não aprende. Se pensar bem, é melhor mesmo repetir vários alunos, assim eles desanimam de fazer a mesma série mais uma vez e desistem logo de estudar, o tal político fica bem falado e as ruas mais lotadas, mais barraquinhas na feira.
Tá tudo tão as margens que eu não sei mais se me ausento ou se caminho contra um fluxo de falta de educação, atrocidades e uma desigualdade que me faz ter vontade de vomitar. Sou frustrada com muita coisa, mas a pior delas é por ser mais uma pessoa no mundo que só tem o poder de fazer um punhado de reclamações sentada na frente do computador.
Apesar da frustração, seguimos com esperança e não é por haver alguma irônia, acontece que viver com as reclamações, acaba tornando tudo o que está errado muito pior e se existe o sorriso, vou é procurar um motivo pra sorrir e me agarrar com todas as forças ao que eu já tenho, evitando assim que eu me perca nessa alienação doentia.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pode não ser fixo.

Faz umas duas horas que eu estou sentada na frente do computador encarando uma folha de papel em branco como se nela houvesse alguém para me soprar o começo de um depoimento que preciso fazer para a aula de Português. Porque todo mundo sabe, o difícil é o começo.
Eu nunca fui organizada, mas eu sei que de alguma forma, eu dou um jeito sempre. Sou péssima em exatas e definitivamente é muito complicado entender a lógica de uma equação. Queria número em contas, não letras. Ainda não aprendi a fórmula mágica para multiplica-las ou dividi-las, mas eu aprendo. Esqueço nomes, não consigo arrumar a minha cama por mais de três dias, passo semanas sem postar no blog, pois por mais que eu goste, me falta paciência. Aliás, de vez em quando me falta paciência pra tudo, pra escutar, pra tentar entender e pra explicar.
Ainda sim, existe uma coisa da qual nunca me falta tempo e algumas vezes até pego o tempo das outras coisas para fazer planos, eu gosto de planejar, qualquer coisa. Mesmo que não dê certo, sinto que é de extrema importância ter uma referência, por mais que ela não seja fixa ou não tenha fundamento, não deixa de ser um bom começo. Mude quantas vezes for, tenha os defeitos que tiver, mas não deixe de correr atrás do que você considera importante e se por acaso parecer cansativo de vez em quando, descanse, não desista.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre quem vaga.

Ela enxerga, mas não tem pra onde olhar, não quer olhar pra nada. Seus olhos vagam tão secos, sem brilho, a claridade deles espanta por nem se quer expressar indiferença. Antes houvesse um odio dos outros como prova de que eles presenciam alguma forma de vida, nem isso. A decepção é interna, aqueles olhos externos são faixada, apenas para compor uma forma humana, a parte que enxerga está virada para dentro, parte dela que me causa mais remorso.
Antes a dificuldade terminasse nos insultos que ela orgulhosamente faz sair dos lábios pálidos enquanto bagunça o cabelo sempre com o mesmo movimento, antes eu continuasse intimidada por um semblante totalitarista e não precisasse descobrir que todos esses detalhes são parte de uma armadura de guerra, daquelas complicadas que só se coloca ou tira com ajuda e no final da batalha. Vestindo ela, sua segurança parece estar intacta, o que é viável só até chegar a hora de dizer: 'Missão cumprida, os tempos de guerra agora são parte do passado!' Embora a guerra já tenha chegado ao fim, a armadura ainda lhe oferece proteção, o que te faz permanecer com ela, não importa se é pesada ou desconfortável, acostumou-se com sua missão de permanecer viva, esquecendo-se de que o propósito de permanecer vivo executar a ação, no caso: viver.
Não vejo vida em seus olhos que vagam, não percebo ódio em seus insultos, menos ainda outros detalhes para a minha descrição, o tempo que passei observando-a foi todo destinado a tentar encontrar um motivo para tanta desilusão, não sei. Que seja mais um dos meus exageros, seria melhor assim.