segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

 Uma mentira deslavada: 'Vou deixar pra lá!' Não tem essa de deixar pra lá, mas também não tem mais conversa. Que história é essa de que você respira um ar que também não é meu? Pois é, fiz as minhas malas lotadas de dedicação e entreguei pra você, joguei uma porrada de coisas pro alto e a minha vida nos seus braços, mas mesmo assim não te mereço.
 Te disse que daria o mundo com as sete maravilhas dentro, a última que também foi considerada maravilha e todas as outras que não foram contadas, mas eu não me ajoelho, logo não te mereço. Derramei no colchão, fiz descer pelo ralo do banho, da pia, da alma, uma porção de lágrimas dedicadas à você, mas como eu não frequento os teus lugares, não te mereço. Eu choro vendo filmes de amor, eu só quis (quero) me casar com você, eu mal enxergo os seus defeitos e perderia quantos dias e noites fossem necessários pra te fazer ficar bem, mas tu não é pra mim guri!
  Já fazem uns bons dias que eu mal durmo, concentração foi pro saco faz tempo e o riso já não é mais o mesmo. Mas essas coisas passam não é mesmo? Afinal, se eu não cresci com a mesma doutrina que você, não sou merecedora dos seus sentimentos, nem de tê-los ou de externa-los. Afinal, todo mundo escolhe em quem pensa quando encosta a cabeça no travesseiro, não é mesmo? (NÃO).
 Quer dizer então, que não posso me juntar aos teus nos almoços de família, nas festinhas de fim de ano e nem ao menos conhecê-los, pois não cresci com os meus olhares nos mesmos lugares? Enfim, tá difícil de engolir, de acordar e de deitar pra dormir, sem lembrar que não dá pra eu ser o amor da sua vida em qualquer lugar. 
Desculpa.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Amor é quando todas as necessidades básicas se tornam segundo plano. Se não der tempo de comer pra ir ver você, tudo bem, também, de nada vai adiantar tentar ir dormir mais cedo quando eu poderia passar mais uma hora ouvindo sua voz do outro lado da linha, até porque, provavelmente, não conseguiria dormir lembrando de tanta coisa. Perco o foco dos trabalhos e esqueço dos outros compromissos, pego suas coisas e demoro pra devolver, só pra ter a chance de ver você mais de uma vez por dia. Tudo isso, outras coisas e uma conclusão: Se submeter as condições da paixão é a maior prova da insanidade humana.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

   É tão raro eu falar alguma coisa olhando pra você, pode perceber. Antes fosse medo ou vergonha, porque no fim, é só encarar o problema que dá tudo certo. Minha complicação é paixão de perder a fala, o foco, o ar. Sinto que se eu for te explicar qualquer coisa olhando nos seus olhos, vou me prender nas lindas linhas que formam o desenho deles e vou acabar tropeçando nas palavras e não quero nem pensar qual seria a minha reação ao permitir que suas retinas fitassem esses meus desastres.

domingo, 18 de novembro de 2012

   Andei por trinta minutos ininterruptos pela praia que tanto amo sem tirar os olhos do chão. Procurei por toda aquela infinidade de grãos de areia a mais bonita das conchas para lhe presentear. Não observei o céu, nem brinquei de lembrar o nome das nuvens, ignorei aqueles morros que eu tanto gosto de admirar e mal me lembro do barulho do mar desta vez, se estava forte ou sereno... Eu não sei. Sei que as conchas de fundo rosa, os pedaços das estrelas do mar coloridas (ou até mesmo as inteiras) pareciam tão sem graça, tão comum. Nada de novo. A frustração ao fim da caminhada na praia, era enorme. Quando alguma coisa me parecia bonita, sempre hesitava em pegar e acabava por deixa-lá por lá, lógicamente eu iria encontrar algo melhor, mas não encontrei.
   Voltei pra casa um tanto calada, como te explicar que eu queria chegar e entregar pra você algo lindo, mas estava com as mãos vazias? Não sei. Ao fim da viagem, a única coisa que me fazia lembrar dos momentos, era que eu havia observado tudo com um desejo imenso de que estivesse comigo. A distância é uma espécie e medida de intensidade e a saudade é sintoma.
   Queria entregar-lhe algo que encantasse até a mim. Eis que volto pra casa com uma surpresa maior do que esperava. Foram quatro dias sem ver você e eu estou quase doente de saudade. Como assim?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

   Você não é só sorrisos o dia inteiro e eu sei disso. Eu também, não sou a mais bonita e tenho um péssimo raciocínio lógico. Pode ser que eu te deixe irritado se resolver ligar as 3 da manhã pra externar toda a minha carência e você é muito mandão. Desfilo meus casacos de brechó, enquanto você, sempre está muito bem arrumado. Faço manha e quase choro se me negar um pôr do Sol, vivo te preocupando com a minha cabeça na lua e a sua responsabilidade é de admirar...Nós não temos nada a ver, pode até ser. Mas eu não vejo mais graça nos outros abraços depois que descansei em seus braços e você sabe que ninguém terá boa vontade maior do que a minha em te roubar um sorriso e te encher de carinhos e acho graça, como eu, mesmo sendo um desastre em quase qualquer coisa, sinto-me princesa com seus mimos e elogios desenfreados. Aposto que você, mesmo cansado dos seus dias turbulentos, perderia mais de mil madrugadas se eu precisasse de atenção e eu, nem ligo de acatar as ordens preocupadas que me dita com seus imperativos sérios e tom de rei. Se pedir, deixo de lado qualquer timidez, mau humor ou preguiça, só pra acompanhar seu ritmo que é uma loucura perto do meu. Vez ou outra, sei que vai andar comigo o dia inteiro e deixar eu me dar ao luxo de entrar em todas as livrarias da cidade.
  Pois é. Se amar ensina alguma coisa, o que eu consegui entender, é que essa conversa de alma gêmea é furada. Eu não encontraria em mil fãs de Bukowski ou ouvintes de Chico Buarque, a paz que eu encontro no meu violinista teimoso feito o Cazuza. Louco é quem acredita, que felicidade nós encontramos em frente a um espelho.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

  Enquanto a conversa parecia rotineira no telefone, me ladeava segurando toda a felicidade para que você não se assuste logo de cara. Você, no mais calmo dos tons de voz me explicava como cuidaríamos do nosso cachorro e eu, do outro lado da linha, só pensava em como eu iria pedi-lo em casamento de um jeito sútil, talvez cairia bem algo do tipo: 'Querido, podemos ter quantos cachorros quiser e morar no lugar que você escolher, seja no Iraque ou no Sol, mas pelo menos, da próxima vez que planejar roubar meu coração e todos os sim's que meus lábios podem responder, case-se comigo antes.' Ainda assim, tive medo de te afastar por causa do tom de desespero que há em minhas declarações. Não fiz meu pedido, não nesta ocasião.
   Poucas horas atrás, em um dos seus abraços, eu o apertava como se fosse incapaz de encontrar qualquer tipo de felicidade em outro lugar, como se eu jamais pudesse te soltar e assim, sem dizer nenhuma das minhas palavras, acredito que tenha lhe implorado para que não se preocupe, eu cuido de você, eu não o deixarei sozinho, nós andaremos juntos e vamos aprender a dar os nossos jeitos quando for necessário. Nesse mesmo abraço, acho que você entendeu que eu queria te dizer tanta coisa relacionada ao amor que sinto, mas que não cabe a mim. Eis que quando menor, eu pedi um amor de filme, para escrever uma história, por fim, hoje ganhei meu amor e perdi as palavras.