quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

As pessoas tem a péssima mania de usar de exemplo o sentimento dos outros e isso é quase tão chato quanto viver atrás do que não existe. Uma vida é pouco tempo e infelizmente não dá pra fazer tudo, muito menos ficar contando com a outra vida que nem se quer é certa e pra ser sincera, acho difícil existir, então se quer seguir algo, siga a sua vida, conte sobre você e o mais importante, não perca tempo comparando sentimentos, é besteira.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Fugitivos.

Tenho dificuldade pra dormir, sempre tive, desde que me lembro pelo menos. De uns tempos pra cá, ela tem se mostrado mais. Passo tanto tempo acordada que quase esqueço de dormir. Quando levamos uma vida normal, gostamos de dormir pra sonhar. Antes de dormir, remoçamos planos, algumas vezes preocupações -mas não faz bem, prefiro ficar nos planos- até conseguirmos dormir e enfim sonhar. Esses dias, rindo sozinha aqui no quarto, percebi que os meus sonhos transbordaram, saíram correndo da minha mente, me arrastaram até o caminho que eles bem quiseram fazer. Agora sou escrava dos sorrisos e felicidades por conseqüência da teimosia dos meus sonhos que decidiram virar verdade e deixar essa história de ficar guardado na cabeça da gente pra quem sonha pouco! Grata teimosia! Grata escravidão!
Como já devo ter comentado -muitas vezes, claro- minha alma é tão grande -maior do que a minha casa- que dá um jeito de fazer até os sonhos criarem vida. Aviso aos navegantes: Quem me encontrar por ai, sorrindo sem motivos, ou andando de mãos dadas com um magrelo com felicidade tão nítida quanto doença, ache normal, ele é a parte do meu sonho que saiu correndo da minha mente e passou a ser tão real que não me deixa mais dormir, de tanto amor que ensinou a ter. Ai de mim! Agora faço planos e acredito até que a parte ruim da vida é sinônimo de quase nada.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pra constar ou contar.

Acabo servindo de moradia para o exagero. Repetições, aumentativos, extremos. É que pouco, nunca demonstrou ao certo ser pouco, mas o muito, ele chega fazendo estrago, se mostra, chama atenção, diz o que é e pra que veio. Além do mais, quando é pouco, prefiro ser nada. Porque pecado mortal é se economizar, sendo que anos passam depressa e são poucos os que tem paciência de viver muito, a maioria logo se entrega. Atenção: não confundir exagero com falta de necessidade.

domingo, 7 de novembro de 2010

seis do onze e mil de pavor.

Até então, tinha certeza absoluta de que não sabia agir nas situações complicadas, mudei de idéia.
Acordar tarde não me agradou, preferia que não fosse final de semana, ainda sim, levantei com um leve bom dia e rosto de satisfação pela noite bem aproveitada. A Av. Paulista, o cheiro de limpo do hospital, o elevador claro e tão bem iluminado quanto o resto do local, o piano tão alto e grave mesmo sozinho, as imagens de Santa Catarina e o pior de tudo, aquele rosto tão familiar com expressão de choro conversando com Nossa Senhora de Fátima, Nada me agradava. Tudo tinha gosto amargo, até o chocolate do café da manhã. Eu não queria que ela estivesse mal, não queria segurar o choro, queria mesmo dizer que eu faria o que fosse preciso no lugar dela, pois só assim eu estaria mais tranquila. Apesar do meu desejo de dizer tudo isso na melhor das intenções, fiquei calada, segurei sua mão e fiz como se estivesse tudo bem, fiz certo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Resumo sobre saudade.

Essa angústia antecipada é o menor dos problemas no que passa a ser saudade. Seus sintômas sim, são o grande problema. Todas as palavras começam a ter o som da sua voz chamando o meu nome, a vontade de não sair da cama pra passar o dia inteiro sentindo o cheiro das suas roupas guardadas no meu armário é tão grande que faz até aumentar o sono para que sirva de pretexto. Minhas mãos parecem mais leves, porque falta o peso das suas sobre elas e meu corpo está folgado sem o seu abraço para ajustá-lo. Sua ausência é tão notável como estar doente. É o tipo de coisa que não se esquece. Suadade deve ser doença, pois além disso, quase não durmo também e não sei se é porque lembrando de nós consigo acalmar um pouco mais meu corpo que passou a estar mais inquieto do que nunca ou porque tenho medo de ao parar de olhar para as horas elas parem de caminhar também. Mesmo com tudo isso, aguento firme, quase enlouquecendo, mas aguento firme, no fim, acabei roubando um retrato de um dos seus sorrisos que eu tanto gosto e o deixei pendurado dentro de minhas pálpebras, sempre que fecho os olhos o encontro lá, tenho também o seu cheiro em mim e um calendário pra riscar os dias. Só não demora muito, porque algumas partes de ti, ainda não são você por completo.

domingo, 10 de outubro de 2010

nove.

Porta, pia de cozinha, sofá laranja, sofá azul, tapete, camiseta de banda, camiseta azul, provável motivo de odio mundial não comentado seguido de pausa pra dois. Retrato pra iaiá, como dito anteriormente (não por mim) prévia sobre fechar os olhos, cookies, punição (há), água evaporando (não era pra evaporar tanto) pausa pra dois. Macarrão, alface, suco, mais cookies, pausa pra dois. Choro, duzentos abraços. Poucas linhas, não vou ficar dando voltas pra esconder que isso tudo é felicidade, sem palavras difíceis também, não precisa. Ah, isso não é uma descrição, são só lembretes.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

zero cinco.

Tudo influênciava, ou fluia tornando tudo conhecidência. Era a música que ambos escutam mais de uma vez (ou dez) por dia, naquele disco de guitarras distorcidas, que provocavam risos em algumas partes específicas, não pela melodia é claro. Além da música, o clima, o local, a companhia e o tempo principalmente, favorecia o dia.
Mais incrível de tudo, era lembrar que em meio da rotina atribulada com intervalos de 20 minutos (ou menos) por dia e um tempo extra (se der sorte) há um dia na semana que faz romper esse costume de ter hora de ir pra direita ou pra esquerda, sentar em tal lugar e reclamar da quantidade de pessoas no troleibus, há um dia que te faz ter prazer em lembrar de todos os lamentos semanais e se uso aqui o termo 'lamentos' é realmente para que o drama fique explícito ou pra aumentar a importância do dia da descrição. A verdade é que todos esses rodeios são para informar meus ilustres leitores de que encontrei algo pelo qual vale a pena rodar o mundo apenas para ter a presença de um sorriso verdadeiro por dia e mesmo que alguns problemas não estejam ao meu alcance de resolução, ainda sim estarei aqui, o segurando com toda a força que posso conter para que não exista desistência, pra provar que até mesmo rodar o mundo inteiro as vezes não é o suficiente quando se esquece que no final o que vale mesmo é sorrir a cada trecho acompanhado por guitarras distorcidas e lembranças que transbordam felicidade.